terça-feira, 26 de maio de 2009

Há coisas que me ultrpassam


Entre elas está esta moda proliferante de usar tiras de trapilho penduradas ao pescoço como acessório. Ora vamos lá ver, trapilho não são aqueles de restos de tecido que se aproveitam para fazer tapetes e pegas de cozinha, tapetes e pegas de cozinha essas a que toda a gente, mal lhes pousa a vista em cima, franse o nariz com desagrado?? Mas ao pescoço, tipo rosquilha, já está bem? E ainda há gente disposta a dar dinheiro em quantidades pelos potencias colares (que não são mais do que tiras com as pontas amarradas umas às outras...) quando se sabe que aquilo se vende a meia duzia de tostões ao quilo em qualquer retrosaria do planeta?? Não entendo esta gente. Mas sei que, se alguma vez der comigo a pendurar trapilho ao pescoço, as minhas queridas amigas terão o bom senso de me dar um par de tabefes para me deixar de coisas esquisitas.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

E lá foi ele!


Hoje fui aos correios enviar a minha candidatura ao Prémio Literário Branquinho da Fonseca - Expresso/Gulbenkian. E agora espera-se até dia 10 de Outubro para saber os resultados. Pacientemente. MUITO pacientemente. Ou não tivesse eu um projecto de revitalização urbana para terminar até ao fim de junho e um tese de mestrado sobre aquitectura tradicional portuguesa para escrever nos entretantos...

Tempo. Conversa. Paciência.

O homem que eu tenho é um lírico em muitas coisas; diga-se, em parte é por isso que eu lhe acho piada muitas das vezes: a fé que ele continua a ter nas pessoas e no mundo. Para ele, se duas pessoas se amam, têm que ser felizes "sempre" e não "o mais que puderem". Para ele se uma pessoa é boa, não lhe acontecem coisas más. Para ele, se uma pessoa se empenhar no que faz, vai ser a melhor do mundo, independentemente das suas limitações, quaisquer que elas sejam. E isso é tudo muito bonito, mas a verdade é que não é bem assim, e todos sabemos disso.
E se nos reportarmos apenas ao âmbito das relações a dois, chega-se a um ponto em que a única certeza que vamos, realmente, poder ter em relação a quem quer que escolhamos para partilhar a nossa vida, é que essa pessoa, um dia, nos vai eventualmente magoar. Um dia essa pessoa vai-nos dar francamente nos nervos. Um dia essa pessoa vai aborrecer-nos de morte. Um dia não vai ser tudo tão perfeito como gostariamos. Não necessáriamente tudo no mesmo dia. Outras vezes sim, tudo à molhada mesmo. Mas isso não tem que significar mais do que significa: em última instancia isto é garantido. Tão garantido como que, se estamos vivos agora, um dia vamos morrer. Não é um erro. Não é um defeito. É uma característica. Chama-se convivência. POdemos estar cooredenados durante anos. Mas um dia vamos chocar. Da mesma forma que eu sei onde tenho todos os tapetes da minha casa. E volta e meia, lá estou eu a tropeçar neles.
O que torna uma relação especial é quando, sabendo que nem tudo vai ser perfeito sempre, alguém nos diz que vai continuar sempre a tentar que seja. O que faz o amor realmente o que ele é, não é dizerem-nos que vão conseguir nunca nos magoar, nunca ter dúvidas, nunca falhar, mas sim dar-nos a segurança e a certeza de que, quando isso acontecer, vão ficar ao nosso lado para nos ajudar a curar as nossas feridas, a recuperar as nossas convicções, a fazer-nos acreditar novamente. Amar não é nunca deixar o outro cair. É garantir que se está lá ao lado quando isso acontecer, ajudá-lo a levantar e a seguir em frente consigo. Porque isso vai acontecer. Isso é garantido.
Já estou como o poeta, quando diz que "Se ficares comigo, prometo dar-te tormentos, prometo dar-te maus momentos, e prometo-te, também, se perceberes o que quero dizer, meu amor, que terei a arte de te fazer sempre sentir que é diferente o que te prometo do que dizer-te «vá, fica comigo e logo se vê». Não é o mesmo estar que ficar, nem ficar é o mesmo que parar, e se te digo que ficarei contigo, também te digo que será sempre para lutar por ti todos os dias, e não para me conformar com a tua presença na minha vida. E não vamos sempre concordar, porque vamos ser sempre diferentes, mas ficar ao teu lado é ficar do teu lado, e não ser como tu em tudo o que alguma vez fizeres. Viver é o mais perigoso que existe na vida. Mas tenho vontade de tentar, não de ser igual, já que ninguém quer ser igual a ninguém hoje em dia. Terei, portanto, pomadas para todas as dores, remédios para todos os tipos de horrores, e também receitas para desilusões."
Por isso concluo com uma frase que disse ontem e que, ao fim de alguma ponderação lá acabou por fazer sentido naquela cabeça que eu amo: "Terminar uma relção por se ter medo de magoar alguém ou a si mesmo mais é frente, é garantir não só que se irá magoar alguém, como de que se irá sofrer . Não estarias a impedir-me de sofrer no futuro, se me deixasses agora. Estarias, isso sim, a impedir-me de continuar a ser feliz contigo." Porque chatices vão haver sempre. Já sabemos.
E é assim que um dia termina e tudo volta aparentemente ao normal. De repente recebo de novo mensagens que me lembram que sou especial e muito amada. Mas com mimo extra. E só eu sei como adoro mimo extra. E como preciso dele, depois de fins de semana tão confusos como este!

sábado, 23 de maio de 2009

La mala educación

Eis que decorre o dia 22 de Maio de 2009, sexta feira, quando aqui a querida Aninhas se desloca até ao Pingo Doce mais próximo para repor a dispensa para o fim de semana que se aproxima.
Sou uma pessoa simpática. Sou uma daquelas pessoas que continua a acreditar que as coisas boas que fazemos aos outros nos são retribiudas. Sou uma daquelas criaturinhas que se guia pela bonita teoria do "faz aos outros o que esperas que também te façam a ti". Portanto eu cheguei lá e esperei pacientemente que a senhora da florista tirasse as caixas do meu caminho para eu passar. "Peço desculpa" "Não faz mal, esteja à vontade." Sorrisinho dela. Sorrisinho meu. Eu chego ao corredor do enlatados e um senhor com ar perdido pede-me indicações sobre onde encontrar um produto. Eu lá lhe disse. "Muito obrigado!" "De nada!" Sorrisinho dele. Sorrisinho meu. Eu chego à zona da frutaria e vejo um senhor de idade a tentar esticar-se por cima do expositor das maçãs para tirar um saco do rolo, que por algum motivo está pendurado num varão a uma altura de 1,70, mesmo no centro dos expositores. Tirei um saco e ofereci-lhe. "Já agora, agradeço." "Ora essa, não há problema nenhum." Foi á vida dele, eu fui à minha.
E nisto eu chego à caixa para pagar: começo a pousar as minhas coisas no mini tapete rolante (os pingo doces pequenos têm zonas de caixa em miniatura, uma comédia!), digo "Boa tarde!" à funcionária, como manda a boa educação. A resposta? Um braço bem assente sobre o comprimento do tapete rolante e empurra as minhas coisas todas para trás, fazendo com que metade delas caia no chão (felizmente nada se partiu...)
- Esta juventude apressada... - resmungou a senhora, pousando de forma petulante o separador de "Cliente seguinte" entre ela e as minhas compras.
Fiquei com cara de parva, mas lá mantive o bom humor. Sorrisinho, que este trabalho dever ser chato, deve aparecer muita gente estúpida por aqui todos os dias, vá, não é nada contigo...
Lá começou a registar os produtos, enquanto eu recolhia do chão o que tinha caído e voltava a por em cima da passadeira rolante, perante o ar surpreso do tipo atrás de mim na fila. Quando terminei, pousei o cesto que tinha usado em cima dos restantes que estavam ao lado da caixa e ia avançar para arrumar as coisas nos sacos quando fui de novo interpelada pela senhora:
- Então vai deixar isso aí?? Estas meninas que não têm educação nenhuma, que acham que é tudo delas... Então não está a ver que não se podem deixar os cestos aí, que estorva? Que, se daqui a um bocado um colega quiser vir trabalhar para essa caixa não se consegue sentar?? Esta gente não tem educação nenhuma!
Fiquei parva, devo ter feito mesmo ar de parva a olhar para ela, e disse-lhe a unica coisa que fazia sentido ali:
- Peço desculpa, só pousei o cesto aqui porque já cá estavam outros, mas se não é aqui o sitio, diga-me onde é, que não me custa nada levar até lá. - sorrisinho, vá lá, que a senhora está a ter um dia difícil, com compreenção a coisa vai lá.
- Eu não digo? A má educação desta gente, acha que é tudo delas! Estas menininhas que só porque são bonitinhas acham que podem fazer tudo! Acha que isto é assim, chega aqui e faz o que quer? Não é assim!
Era a voz da mulher a subir e a minha boa vontade a descer.
- Então diga lá onde é que isto se arruma, que não me custa nada levar lá e assim aprendo e para a próxima já não acontece.
- Ó SR. NÃO SEI QUANTOOOOOS!!! Venha cá tirar-me isto daqui, que estas meninas chegam aqui e fazem tudo de qualquer maneira sem consideração nenhuma pelo trabalho de ninguém, e daqui a bocado nem se consegue passar ali!
Filha da mãe!
Lá conti o veneno (uma mulher lembra-se que é do norte quando a irritam e tudo o que apetece é dizer logo meia duzia de palavrões), não falei mais do assunto que percebi que não valia a pena, respirei fundo e avancei. Pedi 2 sacos, se faz favor (no pingo eles são pagos, e eu tinha-me esquecido do fiel trolei em casa).
- Não sabe que isso não é nada ecológico? - atira-me 2 sacos para cima - Ai estas meninas!!!
O sangue fervia-me nas veias, mas lá fui arrumando as coisas nos sacos, que me iam sendo atiradas de forma completamente abrutalhada. O meu chocolate e as bolachas ficaram logo meios moídos. Filha da mãe outra vez!
- São não-sei-quantos euros! - diz no tom do costume. Que isto todos lhe devem, ninguém lhe paga, mas naquele dia ia-se vingar do mundo atormentando clientes! Terminei de arrumar o artigo que tinha na mão, quando ouço a voz de novo, de novo num tom a subir - SÃO NÃO-SEI-QUANTOS EUROS!!! Tem gente atrás de si!
A minha paciencia já ia nos limites, nem lhe olhei para a cara, a minha boa educação no buraco, saquei do cartão multi banco, paguei, atirou-me o cartão e o talão para cima, nem um reles boa tarde me disse, nem a porcaria do "volte sempre" que são obrigados a dizer pelo protocolo da empresa.
FILHA DA MÃE!!!
Eu estava a espumar de fúria, ansiosa por sair dali, mas demorei mais uns instantes a arrumar a carteira e a por as ultimas coisas nos sacos.
E eis que ouço uma voz de veludo:
- Boa tarde. Vai desejar saco?
Sim. Era a grandessissima VACA, a atender o tipo que estava atrás de mim na fila e que só tinha uma reles lata de cerveja para pagar!!! Ah, ele merece um "boa tarde" e um sorriso, que não estorva. E também merece a oferta de um saquinho, que levar uma lata na mão não pode ser, eu é que era pouco ecológica. Ele teve um "muito obrigada e boa tarde" da grande vaca filha da mãe que me atendeu a patada!!
Portanto a senhora não estava a ter um mau dia não senhor. A senhora está é a ter uma crise de meia idade daquelas valentes em que ganha um ódio visceral a mulheres mais jovens que ela, principalmente se parecem simpáticas e bem dispostas com a vida, que se ela não está bem disposta com a vida, não vão ser estas "menininhas" que vão estar na presença dela! Mas agora que o cliente é uma coisa que veste calças, a coisa muda de figura. Agora que o cliente tem a oportunidade, se ela tiver uma voz de veludo e uma postura irrepreensível, de olhar para ela e a ver por aquilo que ela é: uma mulher mais velha, é verdade, mas cheia de vida ainda, cheia de experiencia e bons principios, ao contrário destas menininhas safadas que lhe aparecem na caixa, e que não interessam a ninguém, diz o grande poço de virtudes, aí a coisa muda claramente de figura!
Minha senhora, digo-lhe: o carácter de uma pessoa não se vê na forma como trata as pessoas que considera suas iguais ou superiores, mas na forma como trata as que considera inferiores. E boa educação usa-se e eu realmente gosto. E realmente uso. Portanto parece-me que realmente mereço.
Deu vontade de ir fazer queixa, mas não fui. Por outro lado vim para casa tão danada que nem dei por os pacotes de leite me virem a bater na perna direira e agora estou toda pisada. É para aprender a também não ter mau feitio, lol!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Trabalho




Hoje venho só deixar uma imagem bonitinha sobre (e d)o trabalho que estou de momento a desenvolver. Digam lá se, visto assim, não inchamos o peito para dizer: "Sabe, isto é PORTUGUÊS".

Hoot-hoot!

Estou eu a chegar a casa, quando vejo um pombo a aproximar-se, no seu andar balançante, da porta aberta da mercearia. Um passinho. Um tique de cabeça. Mais um passinho. Mais um tique de cabeça. Ainda mais um passinho. E ainda mais um tique de cabeça!
E quando o bicho (tão discreto...) já estava mesmo quase a entrar, eis que se ouve o dono berrar lá de dentro:
- OH POMBO, NÃO SEJAS ATREVIDO!!!

Vim a rir até à porta do prédio.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Dias da minha vida...

Toca o meu telemóvel: olho para o ecrã e concluo que nunca vi tal número.
Atendo:
- Estou sim?
- Estou sim, boa tarde! - responde a voz ao fundo do túnel.
- ..........
- Estou, Ana? Como estás? - diz a voz outra vez.
- ....................
- Daqui fala Fulano! - (há que manter um mínimo de privacidade na vida alheia... )
- .....................................
- O teu PAI!!!
- AAAAAAH!!!!!!!!!!!!!
(Não podia ter-se começado por aí??)

sábado, 2 de maio de 2009

Cola: a saga continua

Só a fazer um pequenino up-date: ainda nem se passaram 4 horas desde o último post, e há que dizer que nessas 4 horas está incluido o meu almoço, arrumações na cozinha e um pequeno duche. A maquete ainda está longe de estar terminada (está a meio, mais ou menos). E mesmo assim, já consegui gastar mais 3 pacotes de cola. A parte chata é que este é o último pacote. O último. E amanhã é domingo, e não tenho onde ir comprar. GRUNF!


Horas depois....

Contagem final - Cola 10. Eu ZERO. Não sobrou nadinha. Nem uma gota para contar a história. Mas está tudo feitinho, muito-muito-perfeitinho! VOU DORMIR 3 DIAS. Beijinhos!

Isto é a minha vida ultimamamente...


A dor no pulso começa a surgir. No polegar. No indicador, por causa do sempre querido e fiel x-acto. Também começam a surgir falhinhas de cartão pelo chão da minha sala, que é uma coisa que me deixa sempre aborrecida (viva os inventores do swiffer que me acalmam os nervos num instante, lol!). Finalmente, surgem grandes lucros para a UHU. Tendo em conta que a cola já estava esgotada numa série de lojas e tive que me render a comprar um MONTE de pacotes dos pequenos. Ainda só tenho 12 placas, e já lá vão 3 pacotinhos... Se eu disser que são coisa de 150... mmm... Quem não adora maquetes?!...