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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Sobre isto dos fins de namoro...

São uma merda. Mas já se sabe que é sempre no meio do estrume mais fedorento que nascem, na estação seguinte, as plantas mais viçosas e as frutas mais saborosas. Que seja assim com isto também ;) Que duas coisas são certas: isto é uma merda. E eu vou regando em quantidades.


(E antes que alguém pergunte, sim, coisas vão sendo plantadas. Juizinho, para inicio de conversa. Sonhos bons e projectos ainda pequeninos. Amizades fortes. E muita esperança no futuro. Porque isto até pode ser uma merda. Mas não há de ser isto o que me derruba.)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Neuronio palerma

Concluo que há em mim uma pequena fashionista reprimida. E não, não é por ser o terceiro post seguido de alguma forma ligado a moda. É mesmo porque me apercebi de que, nos últimos dias, em que estive em casa, sozinha e doente, dei por mim a escolher um pijama que ficasse bem com a cor actual do meu verniz de unhas. É... há em mim estranhas prioridades e instintos...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A saga dos Bananas

Ah!...Nada como um fim de tarde descontraído, em que uma pessoa aproveita para esticar um bocadinho as pernas, apanhar um bocadinho de sol, apesar de o tempo já estar a ficar frescote, ver umas montras, comprar pão... e ser assaltada por 4 caloiros armados com BANANAS. Ah, pois é. Bananas. Bananinhas. Ali, as 4, apontadas em riste a minha cara, por quatro miúdos sujos até ao fundo da alma, corados e envergonhados a ponto de nem conseguirem olhar bem para mim, apesar dos "incentivos" do "doutor" que os acompanhava.
- Essa senhora! JÁÁÁÁ!! - motivava o caríssimo doutor.
- Mmm... isto é um assalto... - murmurou a única rapariga, como quem pede desculpa, enquanto os outros 3 olhavam para o chão com ar de quem gostava de ter ali um buraco, naquele momento.
Lá lhes dei 20 cêntimos, depois de lhes ter perguntado para o que andavam a "assaltar". Uma bela bebedeira, pensei eu, como ensina a experiência académica. "Não...." disseram eles, cada vez mais roxos de vergonha "É para... mmm... para comprar sebentas... material escolar.... mmm...". Pois é claro que é, meus queridos e emporcalhados caloiros, armados com bananas. É claro que é para comprar sebentas e material escolar, agora para financiar a magnifica bebedeira... Que ideia a minha! Agora caloiros que se embriagam durante as praxes? Isto do pensamento esteriotipado é uma chatice.
E pronto, la seguiram os pobres caloiros, com o seu Doutor a rosnar umas ordens quaisquer, e com as suas bananas. Bonitos momentos. Bem dizem que as praxes são muito importantes para a integração da juventude académica. Mesmo muito. "Então, o que é que fizeram hoje?" - perguntam os papás, pelo telefone, ao seus meninos - "Encheram-nos de ovos, cerveja, caril e farinha; pintaram-nos com batons e puseram-nos a usar t-shits que dizem "caloiro burro sou!" e ainda nos juntaram em grupos para irmos assaltar na rua, munidos de bananas." - "O QUÊ???" - hão de responder os papás, perturbados - "Assaltar para comprar sebentas e material escolar, mamã." - "Ah, bom. Lindos meninos."
Nunca vou entender as praxes. Mas pronto. Isso sou eu, que nunca vi em que é que a humilhação conjunta integra no que quer se seja. Pelo menos serve para os Doutores com cerca de 15 matriculas se sentirem especiais por uma vez na vida académica. Dali para a frente, o resto do ano é a vergonha que se sabe para eles. Deixemo-los rosnar a caloirinhos inocentes, para tufar um bocadinho o ego.
E lá continuei o meu passeio, a apreciar o solzinho do fim de tarde, que estava tão agradável.

sábado, 23 de maio de 2009

La mala educación

Eis que decorre o dia 22 de Maio de 2009, sexta feira, quando aqui a querida Aninhas se desloca até ao Pingo Doce mais próximo para repor a dispensa para o fim de semana que se aproxima.
Sou uma pessoa simpática. Sou uma daquelas pessoas que continua a acreditar que as coisas boas que fazemos aos outros nos são retribiudas. Sou uma daquelas criaturinhas que se guia pela bonita teoria do "faz aos outros o que esperas que também te façam a ti". Portanto eu cheguei lá e esperei pacientemente que a senhora da florista tirasse as caixas do meu caminho para eu passar. "Peço desculpa" "Não faz mal, esteja à vontade." Sorrisinho dela. Sorrisinho meu. Eu chego ao corredor do enlatados e um senhor com ar perdido pede-me indicações sobre onde encontrar um produto. Eu lá lhe disse. "Muito obrigado!" "De nada!" Sorrisinho dele. Sorrisinho meu. Eu chego à zona da frutaria e vejo um senhor de idade a tentar esticar-se por cima do expositor das maçãs para tirar um saco do rolo, que por algum motivo está pendurado num varão a uma altura de 1,70, mesmo no centro dos expositores. Tirei um saco e ofereci-lhe. "Já agora, agradeço." "Ora essa, não há problema nenhum." Foi á vida dele, eu fui à minha.
E nisto eu chego à caixa para pagar: começo a pousar as minhas coisas no mini tapete rolante (os pingo doces pequenos têm zonas de caixa em miniatura, uma comédia!), digo "Boa tarde!" à funcionária, como manda a boa educação. A resposta? Um braço bem assente sobre o comprimento do tapete rolante e empurra as minhas coisas todas para trás, fazendo com que metade delas caia no chão (felizmente nada se partiu...)
- Esta juventude apressada... - resmungou a senhora, pousando de forma petulante o separador de "Cliente seguinte" entre ela e as minhas compras.
Fiquei com cara de parva, mas lá mantive o bom humor. Sorrisinho, que este trabalho dever ser chato, deve aparecer muita gente estúpida por aqui todos os dias, vá, não é nada contigo...
Lá começou a registar os produtos, enquanto eu recolhia do chão o que tinha caído e voltava a por em cima da passadeira rolante, perante o ar surpreso do tipo atrás de mim na fila. Quando terminei, pousei o cesto que tinha usado em cima dos restantes que estavam ao lado da caixa e ia avançar para arrumar as coisas nos sacos quando fui de novo interpelada pela senhora:
- Então vai deixar isso aí?? Estas meninas que não têm educação nenhuma, que acham que é tudo delas... Então não está a ver que não se podem deixar os cestos aí, que estorva? Que, se daqui a um bocado um colega quiser vir trabalhar para essa caixa não se consegue sentar?? Esta gente não tem educação nenhuma!
Fiquei parva, devo ter feito mesmo ar de parva a olhar para ela, e disse-lhe a unica coisa que fazia sentido ali:
- Peço desculpa, só pousei o cesto aqui porque já cá estavam outros, mas se não é aqui o sitio, diga-me onde é, que não me custa nada levar até lá. - sorrisinho, vá lá, que a senhora está a ter um dia difícil, com compreenção a coisa vai lá.
- Eu não digo? A má educação desta gente, acha que é tudo delas! Estas menininhas que só porque são bonitinhas acham que podem fazer tudo! Acha que isto é assim, chega aqui e faz o que quer? Não é assim!
Era a voz da mulher a subir e a minha boa vontade a descer.
- Então diga lá onde é que isto se arruma, que não me custa nada levar lá e assim aprendo e para a próxima já não acontece.
- Ó SR. NÃO SEI QUANTOOOOOS!!! Venha cá tirar-me isto daqui, que estas meninas chegam aqui e fazem tudo de qualquer maneira sem consideração nenhuma pelo trabalho de ninguém, e daqui a bocado nem se consegue passar ali!
Filha da mãe!
Lá conti o veneno (uma mulher lembra-se que é do norte quando a irritam e tudo o que apetece é dizer logo meia duzia de palavrões), não falei mais do assunto que percebi que não valia a pena, respirei fundo e avancei. Pedi 2 sacos, se faz favor (no pingo eles são pagos, e eu tinha-me esquecido do fiel trolei em casa).
- Não sabe que isso não é nada ecológico? - atira-me 2 sacos para cima - Ai estas meninas!!!
O sangue fervia-me nas veias, mas lá fui arrumando as coisas nos sacos, que me iam sendo atiradas de forma completamente abrutalhada. O meu chocolate e as bolachas ficaram logo meios moídos. Filha da mãe outra vez!
- São não-sei-quantos euros! - diz no tom do costume. Que isto todos lhe devem, ninguém lhe paga, mas naquele dia ia-se vingar do mundo atormentando clientes! Terminei de arrumar o artigo que tinha na mão, quando ouço a voz de novo, de novo num tom a subir - SÃO NÃO-SEI-QUANTOS EUROS!!! Tem gente atrás de si!
A minha paciencia já ia nos limites, nem lhe olhei para a cara, a minha boa educação no buraco, saquei do cartão multi banco, paguei, atirou-me o cartão e o talão para cima, nem um reles boa tarde me disse, nem a porcaria do "volte sempre" que são obrigados a dizer pelo protocolo da empresa.
FILHA DA MÃE!!!
Eu estava a espumar de fúria, ansiosa por sair dali, mas demorei mais uns instantes a arrumar a carteira e a por as ultimas coisas nos sacos.
E eis que ouço uma voz de veludo:
- Boa tarde. Vai desejar saco?
Sim. Era a grandessissima VACA, a atender o tipo que estava atrás de mim na fila e que só tinha uma reles lata de cerveja para pagar!!! Ah, ele merece um "boa tarde" e um sorriso, que não estorva. E também merece a oferta de um saquinho, que levar uma lata na mão não pode ser, eu é que era pouco ecológica. Ele teve um "muito obrigada e boa tarde" da grande vaca filha da mãe que me atendeu a patada!!
Portanto a senhora não estava a ter um mau dia não senhor. A senhora está é a ter uma crise de meia idade daquelas valentes em que ganha um ódio visceral a mulheres mais jovens que ela, principalmente se parecem simpáticas e bem dispostas com a vida, que se ela não está bem disposta com a vida, não vão ser estas "menininhas" que vão estar na presença dela! Mas agora que o cliente é uma coisa que veste calças, a coisa muda de figura. Agora que o cliente tem a oportunidade, se ela tiver uma voz de veludo e uma postura irrepreensível, de olhar para ela e a ver por aquilo que ela é: uma mulher mais velha, é verdade, mas cheia de vida ainda, cheia de experiencia e bons principios, ao contrário destas menininhas safadas que lhe aparecem na caixa, e que não interessam a ninguém, diz o grande poço de virtudes, aí a coisa muda claramente de figura!
Minha senhora, digo-lhe: o carácter de uma pessoa não se vê na forma como trata as pessoas que considera suas iguais ou superiores, mas na forma como trata as que considera inferiores. E boa educação usa-se e eu realmente gosto. E realmente uso. Portanto parece-me que realmente mereço.
Deu vontade de ir fazer queixa, mas não fui. Por outro lado vim para casa tão danada que nem dei por os pacotes de leite me virem a bater na perna direira e agora estou toda pisada. É para aprender a também não ter mau feitio, lol!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Hoot-hoot!

Estou eu a chegar a casa, quando vejo um pombo a aproximar-se, no seu andar balançante, da porta aberta da mercearia. Um passinho. Um tique de cabeça. Mais um passinho. Mais um tique de cabeça. Ainda mais um passinho. E ainda mais um tique de cabeça!
E quando o bicho (tão discreto...) já estava mesmo quase a entrar, eis que se ouve o dono berrar lá de dentro:
- OH POMBO, NÃO SEJAS ATREVIDO!!!

Vim a rir até à porta do prédio.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Dias da minha vida...

Toca o meu telemóvel: olho para o ecrã e concluo que nunca vi tal número.
Atendo:
- Estou sim?
- Estou sim, boa tarde! - responde a voz ao fundo do túnel.
- ..........
- Estou, Ana? Como estás? - diz a voz outra vez.
- ....................
- Daqui fala Fulano! - (há que manter um mínimo de privacidade na vida alheia... )
- .....................................
- O teu PAI!!!
- AAAAAAH!!!!!!!!!!!!!
(Não podia ter-se começado por aí??)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O verdadeiro Português!

O português típico dirige-se a um centro comercial à hora de almoço durante um atarefado dia de semana para almoçar qualquer coisa rápida. Ele entra no centro comercial, selecciona rápidamente qual o local que o deixará devidamente alimentado na menor quantidade de tempo e pela menor quantidade de dinheiro, põe-se na fila e espera até ser servido, deambula com o seu tabuleiro alguns instantes enquanto procura uma mesa vaga, senta-se, come e vai embora o mais de pressa possível. Assim é o tipico português num dia de semana à hora do almoço num centro comercial. A hora de almoço é curta. O stress é grande. A fome é muita.
Mas ontem assisti a uma cena que me fez rever o que é realmente um português "tipico" à hora de almoço num centro comercial. Estou eu sentada a almoçar quando um senhor na casa dos 40 se aproxima da mesa mais próxima e se senta. Tira o casaco do fato, pousa-o nas costas da cadeira ajeitando os ombros para não amassar. Pousa a pasta de cabedal castanho na mesma cadeira e senta-se. Até aqui tudo bem. Mais um no meio de muitos.
Depois de sentado abre a pasta e retira de lá o jornal. Descalça os sapatos (que estão apertados, e estamos em horário de almoço, o senhor queria esticar os dedinhos! o que importa se está a faze-lo em pleno centro comercial apinhado e não no conforto do seu sofazinho em casa??), abre o jornal e vai lendo calmamente. Ri-se de uma noticia (cada coisa, neste mundo!!...), pousa o jornal e vai novamente à pasta aberta. Lá de dentro tira um saco do continente fechado com um nó. Lá dentro? Sardinhas fritas, ao monte, um bocadinho amachucadas por terem passado a manhã a marinar dentro da pasta e fechadas num saco de plástico atado com um nó (higiene acima de tudo!!). De dentro da pasta saiu ainda uma caixa de "carte d'or" que continha salada com muita maionaise e meia baguette. E foi a este espectáculo que eu assisti enquanto almoçava: o homem petiscava imune ao resto do mundo: com uma mão segurava o jornal dobrado, com a outra ia apanhando sardinhas, alface e pão. Os pés, ainda fora dos sapatos, descansavam adequadamente pousados sobre os ditos. O telemovel tocou uma série de vezes, entoando o "nokia tune" que já ninguém pode ouvir. Mas era hora de almoço, o senhor não atendeu ninguém. E quando terminou o seu tempo, totalmente imune aos multiplos outros executivos que deambulavam aceleradamente à sua volta, o senhor retirou de dentro da pasta um guardanapo: limpou os restinhos de maionaise de dentro da caixa e arrumou-a. Limpou um par de gotas de molho de sardinha da mesa e dobrou o saquinho. Lambeu a ponta de todos os dedinhos para garantir que não havia uma imperfeição a ser notada (dignidade! acima de tudo dignidade!), calçou os sapatos, vestiu de novo o casaco do fato, pegou na pasta e no jornal e foi-se embora calmamente. E assim, senhores, descobri que existe um português muito mais tipico do que se pensava a frequentar centros comerciais apinhados à hora de almoço. Um que se serve deles porque fica mais perto do que ir a casa, mas que não abdica dos confortos do lar! Nem do menu do verdadeiro lisboeta na primavera. E que ninguém me venha falar da crise, e do que leva as pessoas a fazer! Isto, senhores, não é fruto de crise rigorosamente nenhuma! Isto é um verdadeiro português como (graças a Deus...) já não se fazem assim tantos!...

sábado, 28 de março de 2009

Eu tenho os piores vizinhos do mundo

Sim, eu tenho os piores vizinhos do mundo. Não os piores de todos, citados numa lista que inclua todas as categorias possiveis de vizinhos. Mas se se fizer uma triagem com palavras chave como "jovens casais, primeira habitação, apartamento, classe média alta, lisboa, curso superior, empregos de respeito" e por aí fora, ah, sim, aí eles ficam claramente em primeiro na sua lista entre pares.
Os meus vizinhos são o tipo exacto de pessoas que, se passarem por nós na rua durante o dia, parecem perfeitamente normais. Aquele tipo de pessoas que se funde na paisagem, muito embora andem sempre de fato e abraçados como se fossem siameses - isso talvez os destaque um bocadinho dos demais - mas vá, fora isso são o tipo de casal em que eu nunca teria pousado os olhos ou os pensamentos mais tempo do que a fracção de segundo em que passassem por mim na rua. Mas isso foi antes de eles terem comprado o apartamento por cima do meu. As cusquices que se diziam eram optimas. Jovens, boas familias, formados, empregos de respeito, gente noramalzinha, supõe-se. E talvez sejam, dependendo de quem esteja a ler isto. Aposto que para muitos dos leitores deste post a estupida desta história seja eu, que não estou adaptada aos tempos modernos. Mas tenho fé que esses tenham o bom senso de não o proferir em voz alta. Ou voz escrita, tanto faz.
Mas, perguntam vocês, o que torna os meus vizinhos umas figuras tão irritantes? Ah pois... O facto de que, mal passam a porta de casa, lá se vai a compostura e parece que estão a morar no campo. Sim, algures desde que sairam de casa dos pais e deram o grito do Ipiranga e se declaram livres para viver como bem entendam a sua própria vidinha, lá devem ter entendido que da porta de casa para dentro não deviam satisfações a ninguém. E vá, dever não devem, não é? Mas também não caiam na ilusão de que o vosso apartamento é selado herméticamente e que tudo o que se passa aí dentro só a vós pertence, que isso não é bem assim...
Prédios antigos remodelados. Paredes fininhas. Chão e tecto sem isolamento, que isso só rouba espaço util e gasta dinheiro. E, de repente, os meus vizinhos estão a expor ao mundo que, dentro de casa, falam sempre aos berros como um par de carroceiros (-oh Não Sei Quantas!!! - vamos lá manter a privacidade dos meninos, que também não há necessidade de apotar assim tanto o dedinho, hum? -SIIIIIIM!!!!) E ele canta nas alturas com voz de falsete o dia inteiro. (sim. com voz de falsete. tudo, absolutamente TUDO em voz de falsete. Desde Celine Dion até Moonspel, passando por Toy e Tony Carreira, que o tipo não é esquisito...) E berra pelo Benfica e bate os pés no chão e urra como se estivesse no estádio. E põe a musica tão alto na aparelhagem que se ouve desde a portaria, sendo que eles moram no apartamento da cobertura. Cá em casa as coisas até abanam com a reverberação, viva o luxo!! E ela anda sempre de saltos altos em casa (que mulher é que faz isso, francamente?? Não conheço uma única para além dela que, na posse de todas as suas faculdades, mal passe a porta de casa não se descalse e solte um "aaaaah!!!" de alívio, mas enfim. Ah, e esquece lá isso, também, de respeito pela paciencia dos vizinhos para ouvir o toc-toc-toc o dia inteiro, que são tudo coisas secundárias e sobrevalorizadas...). E têm sessões de sexo selvagem em todos os compartimentos da casa (abençoados, acho muito bem, sim senhor, mas não precisava de ouvir com todos os detalhes todas as conversas e impropérios que são ditas, nem todos os urros, nem aquelas frases que me fazem explodir a rir às 6 da tarde como "bate-me!! BATE-ME!!! És uma selvagem!! És a minha FERA!! BATE-MEEEE!!! - sim, também é ele que grita estas coisas. O tipo é esquisito, eu disse... Não, eu não precisava que eles partilhassem isto comigo. Principalmente quando tenho visitas que começam a corar desmedidamente nesses momentos).
Mais chato ainda é quando todos estes factores se combinam num sábado de manhã, a partir das 9:10. Mais ainda foi quando descobri que ia ser assim em todos os sábados e domingos desde que vieram morar para aqui. E depois há apenas aquelas coisinhas que nos fazem pensar que esta gente é esquisista. Como, numa das muitas vezes que lá tive de ir reclamar, ficarem a discutir atrás da porta a achar que eu não estou a ouvir nada (-Não abras, não abras que ela cansa-se e vai-se embora!!) ou em que ela me recebe em lingerie violeta de renda cheia de transparencias e acha por bem ficar a conversar comigo naquela figura durante mais de 5 minutos. É... Eu tenho uns vizinhos estranhinhos, tenho. E chatos. E barulhentos. E com a capacidade de memória de um peixe, que uma pessoa queixa-se de barulho, eles reclamam mas resolvem e, 10 - 15 minutos depois está outra vez tudo na mesma. E são também francamente arrogantes mal passam da porta de casa para o hall das escadas de novo. Mas vá. Tendo em conta as figurinhas que fazem da porta de casa para dentro, na convicção plena de que mais ninguém está a ouvir e na absoluta certeza de que parvas eram as mãezinhas deles quando lhes diziam na infancia que "não faças isso, Não Sei Quantos, que os vizinhos ouvem-te e não têm nada a ver com a nossa vida/ chateiam-se!", quando afinal se pode fazer tudo e mais alguma coisa em casa... Sim, tendo em conta que eles não têm noção da figurinha que estão de facto a fazer, já que supostamente a casa deles é hermética e ninguém os ouve desde que passam o limiar do arco da porta, nesse caso faz todo o sentido o nariz francamente empinado mal fecham a porta e dão consigo cá fora. Porque cá fora há uma imagem a manter e isto há gente muito mázinha que, raios os partam, reparam em tudo e ainda lixam a vida a uma pessoa à conta destes pormenres. Portanto vigilancia contante. Sempre. Tristes. E eu que os ature!!!