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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A saga dos Bananas

Ah!...Nada como um fim de tarde descontraído, em que uma pessoa aproveita para esticar um bocadinho as pernas, apanhar um bocadinho de sol, apesar de o tempo já estar a ficar frescote, ver umas montras, comprar pão... e ser assaltada por 4 caloiros armados com BANANAS. Ah, pois é. Bananas. Bananinhas. Ali, as 4, apontadas em riste a minha cara, por quatro miúdos sujos até ao fundo da alma, corados e envergonhados a ponto de nem conseguirem olhar bem para mim, apesar dos "incentivos" do "doutor" que os acompanhava.
- Essa senhora! JÁÁÁÁ!! - motivava o caríssimo doutor.
- Mmm... isto é um assalto... - murmurou a única rapariga, como quem pede desculpa, enquanto os outros 3 olhavam para o chão com ar de quem gostava de ter ali um buraco, naquele momento.
Lá lhes dei 20 cêntimos, depois de lhes ter perguntado para o que andavam a "assaltar". Uma bela bebedeira, pensei eu, como ensina a experiência académica. "Não...." disseram eles, cada vez mais roxos de vergonha "É para... mmm... para comprar sebentas... material escolar.... mmm...". Pois é claro que é, meus queridos e emporcalhados caloiros, armados com bananas. É claro que é para comprar sebentas e material escolar, agora para financiar a magnifica bebedeira... Que ideia a minha! Agora caloiros que se embriagam durante as praxes? Isto do pensamento esteriotipado é uma chatice.
E pronto, la seguiram os pobres caloiros, com o seu Doutor a rosnar umas ordens quaisquer, e com as suas bananas. Bonitos momentos. Bem dizem que as praxes são muito importantes para a integração da juventude académica. Mesmo muito. "Então, o que é que fizeram hoje?" - perguntam os papás, pelo telefone, ao seus meninos - "Encheram-nos de ovos, cerveja, caril e farinha; pintaram-nos com batons e puseram-nos a usar t-shits que dizem "caloiro burro sou!" e ainda nos juntaram em grupos para irmos assaltar na rua, munidos de bananas." - "O QUÊ???" - hão de responder os papás, perturbados - "Assaltar para comprar sebentas e material escolar, mamã." - "Ah, bom. Lindos meninos."
Nunca vou entender as praxes. Mas pronto. Isso sou eu, que nunca vi em que é que a humilhação conjunta integra no que quer se seja. Pelo menos serve para os Doutores com cerca de 15 matriculas se sentirem especiais por uma vez na vida académica. Dali para a frente, o resto do ano é a vergonha que se sabe para eles. Deixemo-los rosnar a caloirinhos inocentes, para tufar um bocadinho o ego.
E lá continuei o meu passeio, a apreciar o solzinho do fim de tarde, que estava tão agradável.

domingo, 26 de setembro de 2010

Sim, estou viva!


Gente! Estou viva! E a pedido de várias familias (vá, tecnicamente a pedido de uma única familia, aliás, de um único elemento de uma única familia...) estou também de volta a estas andanças da blogosfera. Que é para que não se diga que eu não valorizo a opinião dos leitores, que são pouquinhos mas são meus, e dão-se ao trabalho de vir cá, portanto vamos lá tratar de lhes ir dando alguma coisinha com menos de meio ano para ler.
Lamento informar que vários episódios potencialmente palermas da minha vida foram desperdiçados, inarrados, ao longo dos últimos meses. (Um segundo de silencio, em memória desses bonitos momentos.) Mas, alegremo-nos, nada de grave daí advém, que eu tendo a ter uma vida propicia ao desenvolvimento de pensamentos de grau elevado de parvoice (ou de presenciamento de situações mundanamente banais em que algo de satirizante vai acontecendo), que prometo voltar a dar-me ao trabalho de partilhar convosco, que se interessem por eles.
Só não vai é ser já hoje, que o dia foi mesmo normalzinho (parabéns, papá!) além de que é tarde para caraças. Amanhã. Ou em breve. Prometo não desaparecer novamente. Nem que seja para voltar a vir para aqui postar delirios sobre fruta.

Portanto, gente: sim, estou viva! E vou dando notícias entretanto. ;)


segunda-feira, 15 de junho de 2009

Daqui a uns tempos...

Chamam-me "o blog da fruta". Tenho a mania da fruta fora de horas. Só por gulodice, mesmo. estive a trabalhar até agora, e apeteceu-me, antes de ir dormir. Agora há uns tempos eram morangos. Agora são nectarinas. Descasco umas 3, corto-as aos bocadinhos para um taça, e ando consolada, ao menos por um bocadinho. Que ninguém diga que não sou uma menina de manias a puxar para o saudávelzinho! :P

Agora, tentem obrigar-me a comer fruta à sobremesa... Só para ver o que acontece?... :P

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Nham!!!

Mmmmmmmmmmmmmmmmmmm!!!!!!

Mmmmmmmmmmmmmmmmm...... :) :) :) :) :) :) :)

terça-feira, 26 de maio de 2009

Há coisas que me ultrpassam


Entre elas está esta moda proliferante de usar tiras de trapilho penduradas ao pescoço como acessório. Ora vamos lá ver, trapilho não são aqueles de restos de tecido que se aproveitam para fazer tapetes e pegas de cozinha, tapetes e pegas de cozinha essas a que toda a gente, mal lhes pousa a vista em cima, franse o nariz com desagrado?? Mas ao pescoço, tipo rosquilha, já está bem? E ainda há gente disposta a dar dinheiro em quantidades pelos potencias colares (que não são mais do que tiras com as pontas amarradas umas às outras...) quando se sabe que aquilo se vende a meia duzia de tostões ao quilo em qualquer retrosaria do planeta?? Não entendo esta gente. Mas sei que, se alguma vez der comigo a pendurar trapilho ao pescoço, as minhas queridas amigas terão o bom senso de me dar um par de tabefes para me deixar de coisas esquisitas.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

E lá foi ele!


Hoje fui aos correios enviar a minha candidatura ao Prémio Literário Branquinho da Fonseca - Expresso/Gulbenkian. E agora espera-se até dia 10 de Outubro para saber os resultados. Pacientemente. MUITO pacientemente. Ou não tivesse eu um projecto de revitalização urbana para terminar até ao fim de junho e um tese de mestrado sobre aquitectura tradicional portuguesa para escrever nos entretantos...

sábado, 23 de maio de 2009

La mala educación

Eis que decorre o dia 22 de Maio de 2009, sexta feira, quando aqui a querida Aninhas se desloca até ao Pingo Doce mais próximo para repor a dispensa para o fim de semana que se aproxima.
Sou uma pessoa simpática. Sou uma daquelas pessoas que continua a acreditar que as coisas boas que fazemos aos outros nos são retribiudas. Sou uma daquelas criaturinhas que se guia pela bonita teoria do "faz aos outros o que esperas que também te façam a ti". Portanto eu cheguei lá e esperei pacientemente que a senhora da florista tirasse as caixas do meu caminho para eu passar. "Peço desculpa" "Não faz mal, esteja à vontade." Sorrisinho dela. Sorrisinho meu. Eu chego ao corredor do enlatados e um senhor com ar perdido pede-me indicações sobre onde encontrar um produto. Eu lá lhe disse. "Muito obrigado!" "De nada!" Sorrisinho dele. Sorrisinho meu. Eu chego à zona da frutaria e vejo um senhor de idade a tentar esticar-se por cima do expositor das maçãs para tirar um saco do rolo, que por algum motivo está pendurado num varão a uma altura de 1,70, mesmo no centro dos expositores. Tirei um saco e ofereci-lhe. "Já agora, agradeço." "Ora essa, não há problema nenhum." Foi á vida dele, eu fui à minha.
E nisto eu chego à caixa para pagar: começo a pousar as minhas coisas no mini tapete rolante (os pingo doces pequenos têm zonas de caixa em miniatura, uma comédia!), digo "Boa tarde!" à funcionária, como manda a boa educação. A resposta? Um braço bem assente sobre o comprimento do tapete rolante e empurra as minhas coisas todas para trás, fazendo com que metade delas caia no chão (felizmente nada se partiu...)
- Esta juventude apressada... - resmungou a senhora, pousando de forma petulante o separador de "Cliente seguinte" entre ela e as minhas compras.
Fiquei com cara de parva, mas lá mantive o bom humor. Sorrisinho, que este trabalho dever ser chato, deve aparecer muita gente estúpida por aqui todos os dias, vá, não é nada contigo...
Lá começou a registar os produtos, enquanto eu recolhia do chão o que tinha caído e voltava a por em cima da passadeira rolante, perante o ar surpreso do tipo atrás de mim na fila. Quando terminei, pousei o cesto que tinha usado em cima dos restantes que estavam ao lado da caixa e ia avançar para arrumar as coisas nos sacos quando fui de novo interpelada pela senhora:
- Então vai deixar isso aí?? Estas meninas que não têm educação nenhuma, que acham que é tudo delas... Então não está a ver que não se podem deixar os cestos aí, que estorva? Que, se daqui a um bocado um colega quiser vir trabalhar para essa caixa não se consegue sentar?? Esta gente não tem educação nenhuma!
Fiquei parva, devo ter feito mesmo ar de parva a olhar para ela, e disse-lhe a unica coisa que fazia sentido ali:
- Peço desculpa, só pousei o cesto aqui porque já cá estavam outros, mas se não é aqui o sitio, diga-me onde é, que não me custa nada levar até lá. - sorrisinho, vá lá, que a senhora está a ter um dia difícil, com compreenção a coisa vai lá.
- Eu não digo? A má educação desta gente, acha que é tudo delas! Estas menininhas que só porque são bonitinhas acham que podem fazer tudo! Acha que isto é assim, chega aqui e faz o que quer? Não é assim!
Era a voz da mulher a subir e a minha boa vontade a descer.
- Então diga lá onde é que isto se arruma, que não me custa nada levar lá e assim aprendo e para a próxima já não acontece.
- Ó SR. NÃO SEI QUANTOOOOOS!!! Venha cá tirar-me isto daqui, que estas meninas chegam aqui e fazem tudo de qualquer maneira sem consideração nenhuma pelo trabalho de ninguém, e daqui a bocado nem se consegue passar ali!
Filha da mãe!
Lá conti o veneno (uma mulher lembra-se que é do norte quando a irritam e tudo o que apetece é dizer logo meia duzia de palavrões), não falei mais do assunto que percebi que não valia a pena, respirei fundo e avancei. Pedi 2 sacos, se faz favor (no pingo eles são pagos, e eu tinha-me esquecido do fiel trolei em casa).
- Não sabe que isso não é nada ecológico? - atira-me 2 sacos para cima - Ai estas meninas!!!
O sangue fervia-me nas veias, mas lá fui arrumando as coisas nos sacos, que me iam sendo atiradas de forma completamente abrutalhada. O meu chocolate e as bolachas ficaram logo meios moídos. Filha da mãe outra vez!
- São não-sei-quantos euros! - diz no tom do costume. Que isto todos lhe devem, ninguém lhe paga, mas naquele dia ia-se vingar do mundo atormentando clientes! Terminei de arrumar o artigo que tinha na mão, quando ouço a voz de novo, de novo num tom a subir - SÃO NÃO-SEI-QUANTOS EUROS!!! Tem gente atrás de si!
A minha paciencia já ia nos limites, nem lhe olhei para a cara, a minha boa educação no buraco, saquei do cartão multi banco, paguei, atirou-me o cartão e o talão para cima, nem um reles boa tarde me disse, nem a porcaria do "volte sempre" que são obrigados a dizer pelo protocolo da empresa.
FILHA DA MÃE!!!
Eu estava a espumar de fúria, ansiosa por sair dali, mas demorei mais uns instantes a arrumar a carteira e a por as ultimas coisas nos sacos.
E eis que ouço uma voz de veludo:
- Boa tarde. Vai desejar saco?
Sim. Era a grandessissima VACA, a atender o tipo que estava atrás de mim na fila e que só tinha uma reles lata de cerveja para pagar!!! Ah, ele merece um "boa tarde" e um sorriso, que não estorva. E também merece a oferta de um saquinho, que levar uma lata na mão não pode ser, eu é que era pouco ecológica. Ele teve um "muito obrigada e boa tarde" da grande vaca filha da mãe que me atendeu a patada!!
Portanto a senhora não estava a ter um mau dia não senhor. A senhora está é a ter uma crise de meia idade daquelas valentes em que ganha um ódio visceral a mulheres mais jovens que ela, principalmente se parecem simpáticas e bem dispostas com a vida, que se ela não está bem disposta com a vida, não vão ser estas "menininhas" que vão estar na presença dela! Mas agora que o cliente é uma coisa que veste calças, a coisa muda de figura. Agora que o cliente tem a oportunidade, se ela tiver uma voz de veludo e uma postura irrepreensível, de olhar para ela e a ver por aquilo que ela é: uma mulher mais velha, é verdade, mas cheia de vida ainda, cheia de experiencia e bons principios, ao contrário destas menininhas safadas que lhe aparecem na caixa, e que não interessam a ninguém, diz o grande poço de virtudes, aí a coisa muda claramente de figura!
Minha senhora, digo-lhe: o carácter de uma pessoa não se vê na forma como trata as pessoas que considera suas iguais ou superiores, mas na forma como trata as que considera inferiores. E boa educação usa-se e eu realmente gosto. E realmente uso. Portanto parece-me que realmente mereço.
Deu vontade de ir fazer queixa, mas não fui. Por outro lado vim para casa tão danada que nem dei por os pacotes de leite me virem a bater na perna direira e agora estou toda pisada. É para aprender a também não ter mau feitio, lol!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Hoot-hoot!

Estou eu a chegar a casa, quando vejo um pombo a aproximar-se, no seu andar balançante, da porta aberta da mercearia. Um passinho. Um tique de cabeça. Mais um passinho. Mais um tique de cabeça. Ainda mais um passinho. E ainda mais um tique de cabeça!
E quando o bicho (tão discreto...) já estava mesmo quase a entrar, eis que se ouve o dono berrar lá de dentro:
- OH POMBO, NÃO SEJAS ATREVIDO!!!

Vim a rir até à porta do prédio.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Dias da minha vida...

Toca o meu telemóvel: olho para o ecrã e concluo que nunca vi tal número.
Atendo:
- Estou sim?
- Estou sim, boa tarde! - responde a voz ao fundo do túnel.
- ..........
- Estou, Ana? Como estás? - diz a voz outra vez.
- ....................
- Daqui fala Fulano! - (há que manter um mínimo de privacidade na vida alheia... )
- .....................................
- O teu PAI!!!
- AAAAAAH!!!!!!!!!!!!!
(Não podia ter-se começado por aí??)

sábado, 2 de maio de 2009

Isto é a minha vida ultimamamente...


A dor no pulso começa a surgir. No polegar. No indicador, por causa do sempre querido e fiel x-acto. Também começam a surgir falhinhas de cartão pelo chão da minha sala, que é uma coisa que me deixa sempre aborrecida (viva os inventores do swiffer que me acalmam os nervos num instante, lol!). Finalmente, surgem grandes lucros para a UHU. Tendo em conta que a cola já estava esgotada numa série de lojas e tive que me render a comprar um MONTE de pacotes dos pequenos. Ainda só tenho 12 placas, e já lá vão 3 pacotinhos... Se eu disser que são coisa de 150... mmm... Quem não adora maquetes?!...

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O verdadeiro Português!

O português típico dirige-se a um centro comercial à hora de almoço durante um atarefado dia de semana para almoçar qualquer coisa rápida. Ele entra no centro comercial, selecciona rápidamente qual o local que o deixará devidamente alimentado na menor quantidade de tempo e pela menor quantidade de dinheiro, põe-se na fila e espera até ser servido, deambula com o seu tabuleiro alguns instantes enquanto procura uma mesa vaga, senta-se, come e vai embora o mais de pressa possível. Assim é o tipico português num dia de semana à hora do almoço num centro comercial. A hora de almoço é curta. O stress é grande. A fome é muita.
Mas ontem assisti a uma cena que me fez rever o que é realmente um português "tipico" à hora de almoço num centro comercial. Estou eu sentada a almoçar quando um senhor na casa dos 40 se aproxima da mesa mais próxima e se senta. Tira o casaco do fato, pousa-o nas costas da cadeira ajeitando os ombros para não amassar. Pousa a pasta de cabedal castanho na mesma cadeira e senta-se. Até aqui tudo bem. Mais um no meio de muitos.
Depois de sentado abre a pasta e retira de lá o jornal. Descalça os sapatos (que estão apertados, e estamos em horário de almoço, o senhor queria esticar os dedinhos! o que importa se está a faze-lo em pleno centro comercial apinhado e não no conforto do seu sofazinho em casa??), abre o jornal e vai lendo calmamente. Ri-se de uma noticia (cada coisa, neste mundo!!...), pousa o jornal e vai novamente à pasta aberta. Lá de dentro tira um saco do continente fechado com um nó. Lá dentro? Sardinhas fritas, ao monte, um bocadinho amachucadas por terem passado a manhã a marinar dentro da pasta e fechadas num saco de plástico atado com um nó (higiene acima de tudo!!). De dentro da pasta saiu ainda uma caixa de "carte d'or" que continha salada com muita maionaise e meia baguette. E foi a este espectáculo que eu assisti enquanto almoçava: o homem petiscava imune ao resto do mundo: com uma mão segurava o jornal dobrado, com a outra ia apanhando sardinhas, alface e pão. Os pés, ainda fora dos sapatos, descansavam adequadamente pousados sobre os ditos. O telemovel tocou uma série de vezes, entoando o "nokia tune" que já ninguém pode ouvir. Mas era hora de almoço, o senhor não atendeu ninguém. E quando terminou o seu tempo, totalmente imune aos multiplos outros executivos que deambulavam aceleradamente à sua volta, o senhor retirou de dentro da pasta um guardanapo: limpou os restinhos de maionaise de dentro da caixa e arrumou-a. Limpou um par de gotas de molho de sardinha da mesa e dobrou o saquinho. Lambeu a ponta de todos os dedinhos para garantir que não havia uma imperfeição a ser notada (dignidade! acima de tudo dignidade!), calçou os sapatos, vestiu de novo o casaco do fato, pegou na pasta e no jornal e foi-se embora calmamente. E assim, senhores, descobri que existe um português muito mais tipico do que se pensava a frequentar centros comerciais apinhados à hora de almoço. Um que se serve deles porque fica mais perto do que ir a casa, mas que não abdica dos confortos do lar! Nem do menu do verdadeiro lisboeta na primavera. E que ninguém me venha falar da crise, e do que leva as pessoas a fazer! Isto, senhores, não é fruto de crise rigorosamente nenhuma! Isto é um verdadeiro português como (graças a Deus...) já não se fazem assim tantos!...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Erasmus no Continente!

E diga-se, este titulo tem muito menos de profundo do que aparenta... São mesmo só um monte de estudantes estrangeiros às compras num hipermercado em Lisboa (pois, e isto que até estava a parecer promissor, não é? humpf!...).
Estava eu mesma nesse querido hipermercado, já na caixa, com os pés a doer e a perguntar-me muito sériamente como é que ia conseguir condensar todas aquelas coisa no meu querido (e, por vezes, minusculo...) trolei (sim, tenho um desses. Achei que a minha coluna valia mais do que a minha dignidade depois de muitas vezes ter chegado a casa derreada por andar a acartar com tudo "ao braço" :P), quando sou abordada por um rapaz com ar de ter a minha idade.
Do you speak english? - pergunta-me o dito fulano
Falo, falo, disse eu (e a conversa vai ser traduzida daqui para a frente que não se perde nada no conteúdo e até se ganha no interesse da coisa).
Pois eis que o jovem me diz que é estudante Erasmus, e que está cá com uns amigos (pois está muito bem, e o que é que eu tenho a ver com isso, pensei eu) e que estão ali, no Continente, a fazer "muitas compras, muitas mesmo muitas!" (hum...)
Estamos ali naquela caixa, estás a ver? (eu olho. coisa de 10 pessoas fazem uma grande festa e dizem-me adeus entusiasticamente com as mãos da caixa lá do fundo) (hum...)
Para minha felicidade, que não estava a compreender nada do que o rapaz queria comigo afinal, e para grande alívio do mesmo, que estava com ar de estar a ficar um bocadinho ansioso por não conseguir encontrar as palavras de que precisava na lingua universal para se fazer entender, a funcionária da caixa onde eles estavam decidiu intervir em nosso auxilio, abrindo os pulmões e gritando:
- ELES QUEREM SABER SE A MENINA TEM CARTÃO CONTINENTE!!! ESTÃO A FAZER UM MONTE DE COMPRAS E QUEREM DAR-LHE OS PONTOS A SI!!!
Felicidade no rosto do rapaz e do grupo! A mensagem tinha finalmente passado!!
Surpresa e espanto na minha cara, grande agradecimento, aqui tem o cartão, mesmo muito obrigada, foi muito simpático da vossa parte.
O rapaz vai, o rapaz volta, devolve-me o cartão e ainda acrescenta com um grande sorriso:
"There you go! Lots of points for you!"
Estou pasma até agora. Agradeci imenso, despedi-me de todos, paguei finalmente a minha conta a uma funcionária igualmente confusa e com ar amuado de "a mim não me acontecem coisas destas no Continente...", e vim para casa (puf-puf-puf) com o mìtico trolei quase a arrancar-me o braço e mesmo assim com 3 sacos ao dependuro porque não coube tudo lá dentro. No entanto foi um fim de dia feliz. É sempre bom quando nos acontecem coisas destas, o universo lá arranja maneira de nos por um sorriso na cara de vez em quando e sabe bem.

Agora a parte II:

Naquela linda segunda-feira de compras, vim para casa cansada mas feliz porque alguém tinha tido um gesto simpatico comigo que me tinha feito sentir especial. Mas, como boa utilizadora de cartão continete que sou, sei que a percentagem de produtos com desconto que o querido hipermercado tem não é assim tão grande, portanto, para lá do gesto, achei sempre que os meninos não me tinham dado grande coisa. Mas calei-me na vez seguinte que tive que ir às compras e me deparo com uma funcionária solícita que me pergunta se quero "pagar com o saldo do cartão?". E, quando eu olho, dou com quase 10€ de saldo à conta da simpatia do meninos daquele dia. Ganhei o dia outra vez! Se apanhasse os ditos estudantes Erasmus de novo, acho que os corria a beijinhos e a abraços a todos. Ou talvez não,que é o mais provável. Mas que foi surpreendente, foi. ;) Como diz o outro: HAPPY DAYS!