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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Ora a ver se a gente se entende...

Ora bem, de uma vez por todas: uma coisa são CALÇAS. Uma outra são TREGGINGS. Por sua vez, existem os LEGGINGS. E, finalmente, há collants. E eu sei que a coisa, à primeira vista, parece toda muito parecida e tudo serve para vestir as pernas, mas por favor, vamos lá ver se a gente se entende: Calças são calças. Leggings e familia são leggings e familia.
Calças são feitas de tecido consistente, são resistentes, são usadas com camisolas do tamanho que se quiser, embora o bom senso indique que umas fiquem melhor do que outras e que não seja suposto ver-se uma tira de barriga entre ambas (mas não é isso que importa aqui agora). O relevante aqui é que calças são efectivamente uma peça de vestuario. Por sua vez, treggings, leggings e colants SÃO ACESSÓRIOS. Por amor de Deus, parem de os usar como se fossem calças. É uma questão de dignidade humana. Antes que alguém se indigne: treggings são leggings a fingir que são calças (mas são leggings na mesma); por sua vez, leggings são colants sem pé (mas ainda são colants) e colants são colants, não há grandes discussões neste ponto. Posto isto: sairiam realmente de casa apenas de colants vestidos e uma t-shirt curta? Não, pois não? Optimo. E leggings, sairiam de casa com eles e uma t-shirt curta? Saíam?? Errado. A não ser que eles fossem opacos o suficiente para não termos que lhe estar a ver a roupa interior à transparencia E a t-shirt que os acompanhasse fosse suficientemente comprida para evitar a exacta mesma coisa. (Ah, mas isso não é uma t-shirt; é um vestido curto, reclamam as adeptas. É verdade. É exactamente isso. Não é uma t-shirt, é um vestido curto. Da exacta mesma forma que leggings não são calças, são colants sem pé.)
Em suma: se querem mesmo usar leggings, usem-nos com o mesmo bom senso e as mesmas regras com que usam colants. Por outro lado, se vão escolher uns suficientemente opacos para manter a vossa dignidade intacta (e privacidade, por favor!! há mesmo muitas coisas que eu não preciso de ver!!) e poder usa-los como se fossem calças, então, por favor, usem efectivamente calças. Porque vir para casa de metro e passar coisa de 25 minutos a ver passar um monte de desgraçadas das mais variadas idades e dos mais distintos tipos físicos a usar leggings de toda a forma e feitio sem qualquer tipo de dignidade ou respeito por si próprias (ou sem levar em consideração os traumas futuros que isso vai causar em quem a vir passar naquela figura...), está mesmo, mas MESMO muito errado.

domingo, 26 de setembro de 2010

Acho impressionante

Como é possível alguém que escreveu isto e isto tenha também conseguido ser o autor disto.
Até ler o Leão de Oz eu achava que era francamente impossível que um livro da autoria de um autor tão brilhante como Gregory Maguire pudesse não falar sobre nada. Aliás, que qualquer coisa, da autoria de quem quer que seja que dure 350 páginas pudesse não falar sobre rigorosamente nada. Achava que podia calhar ser chato, ou cair para o desinteressante, vá, "gostos", mas agora "nada"? Pura e rigorosamente "nada"? Não, por esta eu não esperava.
No incio a história quase que arranca, mas afinal não. O que se esperava brilhantemente envolvente e inesperado, revelou-se uma profunda desilusão. É um sem fim de pormenores irrelevantes sobre uma personagem extraordináriamente plana e fastidiosa, como se veio a revelar o Leão Brr. Li tudo, pois é claro que li. Cá no fundinho eu ainda tinha esperança de que alguma coisa se fosse passar de interessante ou de - pelo menos! - relevante entretanto. Mas nada. O retrato da vida em branco do Leão cobarde é (surprendam-se!) um absoluto vazio. O pior? Algures nas últimas paginas a história quase que arranca de novo. Mas depois não, claro está, porque o livro acaba. Estou revoltada. Senti-me a ler o guião de um daqueles programas da madrugada, em que uma infeliz qualquer faz conversa ininterruptamente, sozinha, enquanto espera que alguém lhe telefone para participar 3 segundos no concurso e depois voltar tudo ao mesmo. Fantastico. Os criticos gabam o brilhantismo criativo de Maguire e eu não deixo de fazer o mesmo: tornou o insuportável Leão de Oz num personagem exponencialmente mais frustrante. E diga-se, encher 350 páginas e conseguir que nada de relevante aconteça é um feito. Gabo também as meninas dos programas da madugada, que falam para ali que se fartam, só elas e a camera, e vai-se a ver, não estão a falar sobre coisa nenhuma estão, hum, como dizer... a encher chouriços. Até acontecer alguma coisa. E depois continuam. Se bem que é para isso que lhes pagam. Mas vá, o mesmo se pode dizer do, até agora, intocávelmente brilhante Sr. Maguire: também ele é pago para fazer estas coisas. Se bem que dele se espera mesmo um GRANDE bocadinho mais do que um simples encher de chouriços. Mas pronto, é o que há, de momento.
Estou triste. Mesmo triste. Quando mentes como a de Maguire conseguem decepcionar-nos tanto, algo me diz que o mundo criativo literario está a ir muito mais por água abaixo do que se previa anteriormente.
E pronto, agora, só para contrariar, vou ler algo que já se preveja palerma, para desenjoar do que se previa brilhante. Ao menos a desilusão há-de ser menor, tal como a dimensão do livro novo.
Veja-se o lado bom. bastavam-me pouco mais de 3 paginas para adormecer calmamente até ao dia seguinte. Parece que nem tudo se perdeu, afinal.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

"Afterheels"

Adivinhem só? Eis que um engenheiro inglês, durante um fim de semana, foi sair com um grupo de amigos, entre os quais uma rapariga com um belo par de saltos altos. Um bom jantar, uma saída agradável, dança até de madrugada... e na manhã seguinte, para grande perturbação do sr. engenheiro (e dos homens em geral, que nunca entendem o porquê do sacrificio...) os pés da menina estavam cheios de bolhas e terrivelmente doridos, de tal forma que ela passou o dia quase todo descalça e confortavelmente deitada. Ele perguntou-lhe o que a maioria dos homens pergunta nesta situação: "Se os sapatos te magoam os pés, porque é que os usaste a noite toda?" e a menina respondeu o que qualquer mulher responderia (e não estou a dizer que isto algum dia vá fazer sentido inclusivé para nós mulhres, mas a verdade é que é assim que a coisa funciona, lol) "Porque são giros, ficam-me bem, e só magoam assim tanto se os usar muito tempo. Mas quando começam a doer, não vou propriamente ficar descalça, não é?"
Pois. Não é. E, num dia normal, o homem que fez a pergunta ecolheria os ombros sem compreender na mesma o porquê do sacrificio, e a menina continuaria a descansar, com os pés doridos, mas feliz da vida porque tinha estado linda na noite anterior e tinha-se divertido muito mais só por saber disso.
Mas para aquele engenheiro, aquela conversa deu aso a uma ideia de mestre: então E SE, independentemente de se sair de casa com uns saltos altos que nos deixem as pernas deslumbrantes e o ego nas alturas, quando chegassemos aquele ponto da noite em que davamos tudo para nos podermos descalçar e trocar para uma coisa mais confortável, pudessemos mesmo?
Ora pois. E assim surgiram as "Afterheels" (e, mais tarde, as "Rollasole"): sabrinas feitas de um material fino e maleável, 100% reciclável, confortável e resistente a quase tudo, inclusivé pedras e vidros, que têm a particularidade de se poder dobrar até caber dentro de uma caixa de dimensões semelhantes às de um maço de tabaco e que estão a ser comercializados directamente em algumas discotecas inglesas, em vários pontos do país, em máquinas de venda de tabaco reconvertidas, a cerca de 5£ cada par. Depois de usados, podem ser lavados, dobrados de novo e guadados dentro da carteira até a saída seguinte, ou simplesmente colocados no ecoponto mais próximo, se não se quiser voltar a usar. Têm ainda o pormenor interessante de , juntamente com o par de sabrinas, vir um saco para transportar os sapatos de salto mais confortávelmente até a casa.



E já lá vão mais de 10.000 pares so no primeiro mês. Inteligente, hum?

sábado, 23 de maio de 2009

La mala educación

Eis que decorre o dia 22 de Maio de 2009, sexta feira, quando aqui a querida Aninhas se desloca até ao Pingo Doce mais próximo para repor a dispensa para o fim de semana que se aproxima.
Sou uma pessoa simpática. Sou uma daquelas pessoas que continua a acreditar que as coisas boas que fazemos aos outros nos são retribiudas. Sou uma daquelas criaturinhas que se guia pela bonita teoria do "faz aos outros o que esperas que também te façam a ti". Portanto eu cheguei lá e esperei pacientemente que a senhora da florista tirasse as caixas do meu caminho para eu passar. "Peço desculpa" "Não faz mal, esteja à vontade." Sorrisinho dela. Sorrisinho meu. Eu chego ao corredor do enlatados e um senhor com ar perdido pede-me indicações sobre onde encontrar um produto. Eu lá lhe disse. "Muito obrigado!" "De nada!" Sorrisinho dele. Sorrisinho meu. Eu chego à zona da frutaria e vejo um senhor de idade a tentar esticar-se por cima do expositor das maçãs para tirar um saco do rolo, que por algum motivo está pendurado num varão a uma altura de 1,70, mesmo no centro dos expositores. Tirei um saco e ofereci-lhe. "Já agora, agradeço." "Ora essa, não há problema nenhum." Foi á vida dele, eu fui à minha.
E nisto eu chego à caixa para pagar: começo a pousar as minhas coisas no mini tapete rolante (os pingo doces pequenos têm zonas de caixa em miniatura, uma comédia!), digo "Boa tarde!" à funcionária, como manda a boa educação. A resposta? Um braço bem assente sobre o comprimento do tapete rolante e empurra as minhas coisas todas para trás, fazendo com que metade delas caia no chão (felizmente nada se partiu...)
- Esta juventude apressada... - resmungou a senhora, pousando de forma petulante o separador de "Cliente seguinte" entre ela e as minhas compras.
Fiquei com cara de parva, mas lá mantive o bom humor. Sorrisinho, que este trabalho dever ser chato, deve aparecer muita gente estúpida por aqui todos os dias, vá, não é nada contigo...
Lá começou a registar os produtos, enquanto eu recolhia do chão o que tinha caído e voltava a por em cima da passadeira rolante, perante o ar surpreso do tipo atrás de mim na fila. Quando terminei, pousei o cesto que tinha usado em cima dos restantes que estavam ao lado da caixa e ia avançar para arrumar as coisas nos sacos quando fui de novo interpelada pela senhora:
- Então vai deixar isso aí?? Estas meninas que não têm educação nenhuma, que acham que é tudo delas... Então não está a ver que não se podem deixar os cestos aí, que estorva? Que, se daqui a um bocado um colega quiser vir trabalhar para essa caixa não se consegue sentar?? Esta gente não tem educação nenhuma!
Fiquei parva, devo ter feito mesmo ar de parva a olhar para ela, e disse-lhe a unica coisa que fazia sentido ali:
- Peço desculpa, só pousei o cesto aqui porque já cá estavam outros, mas se não é aqui o sitio, diga-me onde é, que não me custa nada levar até lá. - sorrisinho, vá lá, que a senhora está a ter um dia difícil, com compreenção a coisa vai lá.
- Eu não digo? A má educação desta gente, acha que é tudo delas! Estas menininhas que só porque são bonitinhas acham que podem fazer tudo! Acha que isto é assim, chega aqui e faz o que quer? Não é assim!
Era a voz da mulher a subir e a minha boa vontade a descer.
- Então diga lá onde é que isto se arruma, que não me custa nada levar lá e assim aprendo e para a próxima já não acontece.
- Ó SR. NÃO SEI QUANTOOOOOS!!! Venha cá tirar-me isto daqui, que estas meninas chegam aqui e fazem tudo de qualquer maneira sem consideração nenhuma pelo trabalho de ninguém, e daqui a bocado nem se consegue passar ali!
Filha da mãe!
Lá conti o veneno (uma mulher lembra-se que é do norte quando a irritam e tudo o que apetece é dizer logo meia duzia de palavrões), não falei mais do assunto que percebi que não valia a pena, respirei fundo e avancei. Pedi 2 sacos, se faz favor (no pingo eles são pagos, e eu tinha-me esquecido do fiel trolei em casa).
- Não sabe que isso não é nada ecológico? - atira-me 2 sacos para cima - Ai estas meninas!!!
O sangue fervia-me nas veias, mas lá fui arrumando as coisas nos sacos, que me iam sendo atiradas de forma completamente abrutalhada. O meu chocolate e as bolachas ficaram logo meios moídos. Filha da mãe outra vez!
- São não-sei-quantos euros! - diz no tom do costume. Que isto todos lhe devem, ninguém lhe paga, mas naquele dia ia-se vingar do mundo atormentando clientes! Terminei de arrumar o artigo que tinha na mão, quando ouço a voz de novo, de novo num tom a subir - SÃO NÃO-SEI-QUANTOS EUROS!!! Tem gente atrás de si!
A minha paciencia já ia nos limites, nem lhe olhei para a cara, a minha boa educação no buraco, saquei do cartão multi banco, paguei, atirou-me o cartão e o talão para cima, nem um reles boa tarde me disse, nem a porcaria do "volte sempre" que são obrigados a dizer pelo protocolo da empresa.
FILHA DA MÃE!!!
Eu estava a espumar de fúria, ansiosa por sair dali, mas demorei mais uns instantes a arrumar a carteira e a por as ultimas coisas nos sacos.
E eis que ouço uma voz de veludo:
- Boa tarde. Vai desejar saco?
Sim. Era a grandessissima VACA, a atender o tipo que estava atrás de mim na fila e que só tinha uma reles lata de cerveja para pagar!!! Ah, ele merece um "boa tarde" e um sorriso, que não estorva. E também merece a oferta de um saquinho, que levar uma lata na mão não pode ser, eu é que era pouco ecológica. Ele teve um "muito obrigada e boa tarde" da grande vaca filha da mãe que me atendeu a patada!!
Portanto a senhora não estava a ter um mau dia não senhor. A senhora está é a ter uma crise de meia idade daquelas valentes em que ganha um ódio visceral a mulheres mais jovens que ela, principalmente se parecem simpáticas e bem dispostas com a vida, que se ela não está bem disposta com a vida, não vão ser estas "menininhas" que vão estar na presença dela! Mas agora que o cliente é uma coisa que veste calças, a coisa muda de figura. Agora que o cliente tem a oportunidade, se ela tiver uma voz de veludo e uma postura irrepreensível, de olhar para ela e a ver por aquilo que ela é: uma mulher mais velha, é verdade, mas cheia de vida ainda, cheia de experiencia e bons principios, ao contrário destas menininhas safadas que lhe aparecem na caixa, e que não interessam a ninguém, diz o grande poço de virtudes, aí a coisa muda claramente de figura!
Minha senhora, digo-lhe: o carácter de uma pessoa não se vê na forma como trata as pessoas que considera suas iguais ou superiores, mas na forma como trata as que considera inferiores. E boa educação usa-se e eu realmente gosto. E realmente uso. Portanto parece-me que realmente mereço.
Deu vontade de ir fazer queixa, mas não fui. Por outro lado vim para casa tão danada que nem dei por os pacotes de leite me virem a bater na perna direira e agora estou toda pisada. É para aprender a também não ter mau feitio, lol!