segunda-feira, 25 de maio de 2009

Tempo. Conversa. Paciência.

O homem que eu tenho é um lírico em muitas coisas; diga-se, em parte é por isso que eu lhe acho piada muitas das vezes: a fé que ele continua a ter nas pessoas e no mundo. Para ele, se duas pessoas se amam, têm que ser felizes "sempre" e não "o mais que puderem". Para ele se uma pessoa é boa, não lhe acontecem coisas más. Para ele, se uma pessoa se empenhar no que faz, vai ser a melhor do mundo, independentemente das suas limitações, quaisquer que elas sejam. E isso é tudo muito bonito, mas a verdade é que não é bem assim, e todos sabemos disso.
E se nos reportarmos apenas ao âmbito das relações a dois, chega-se a um ponto em que a única certeza que vamos, realmente, poder ter em relação a quem quer que escolhamos para partilhar a nossa vida, é que essa pessoa, um dia, nos vai eventualmente magoar. Um dia essa pessoa vai-nos dar francamente nos nervos. Um dia essa pessoa vai aborrecer-nos de morte. Um dia não vai ser tudo tão perfeito como gostariamos. Não necessáriamente tudo no mesmo dia. Outras vezes sim, tudo à molhada mesmo. Mas isso não tem que significar mais do que significa: em última instancia isto é garantido. Tão garantido como que, se estamos vivos agora, um dia vamos morrer. Não é um erro. Não é um defeito. É uma característica. Chama-se convivência. POdemos estar cooredenados durante anos. Mas um dia vamos chocar. Da mesma forma que eu sei onde tenho todos os tapetes da minha casa. E volta e meia, lá estou eu a tropeçar neles.
O que torna uma relação especial é quando, sabendo que nem tudo vai ser perfeito sempre, alguém nos diz que vai continuar sempre a tentar que seja. O que faz o amor realmente o que ele é, não é dizerem-nos que vão conseguir nunca nos magoar, nunca ter dúvidas, nunca falhar, mas sim dar-nos a segurança e a certeza de que, quando isso acontecer, vão ficar ao nosso lado para nos ajudar a curar as nossas feridas, a recuperar as nossas convicções, a fazer-nos acreditar novamente. Amar não é nunca deixar o outro cair. É garantir que se está lá ao lado quando isso acontecer, ajudá-lo a levantar e a seguir em frente consigo. Porque isso vai acontecer. Isso é garantido.
Já estou como o poeta, quando diz que "Se ficares comigo, prometo dar-te tormentos, prometo dar-te maus momentos, e prometo-te, também, se perceberes o que quero dizer, meu amor, que terei a arte de te fazer sempre sentir que é diferente o que te prometo do que dizer-te «vá, fica comigo e logo se vê». Não é o mesmo estar que ficar, nem ficar é o mesmo que parar, e se te digo que ficarei contigo, também te digo que será sempre para lutar por ti todos os dias, e não para me conformar com a tua presença na minha vida. E não vamos sempre concordar, porque vamos ser sempre diferentes, mas ficar ao teu lado é ficar do teu lado, e não ser como tu em tudo o que alguma vez fizeres. Viver é o mais perigoso que existe na vida. Mas tenho vontade de tentar, não de ser igual, já que ninguém quer ser igual a ninguém hoje em dia. Terei, portanto, pomadas para todas as dores, remédios para todos os tipos de horrores, e também receitas para desilusões."
Por isso concluo com uma frase que disse ontem e que, ao fim de alguma ponderação lá acabou por fazer sentido naquela cabeça que eu amo: "Terminar uma relção por se ter medo de magoar alguém ou a si mesmo mais é frente, é garantir não só que se irá magoar alguém, como de que se irá sofrer . Não estarias a impedir-me de sofrer no futuro, se me deixasses agora. Estarias, isso sim, a impedir-me de continuar a ser feliz contigo." Porque chatices vão haver sempre. Já sabemos.
E é assim que um dia termina e tudo volta aparentemente ao normal. De repente recebo de novo mensagens que me lembram que sou especial e muito amada. Mas com mimo extra. E só eu sei como adoro mimo extra. E como preciso dele, depois de fins de semana tão confusos como este!

sábado, 23 de maio de 2009

La mala educación

Eis que decorre o dia 22 de Maio de 2009, sexta feira, quando aqui a querida Aninhas se desloca até ao Pingo Doce mais próximo para repor a dispensa para o fim de semana que se aproxima.
Sou uma pessoa simpática. Sou uma daquelas pessoas que continua a acreditar que as coisas boas que fazemos aos outros nos são retribiudas. Sou uma daquelas criaturinhas que se guia pela bonita teoria do "faz aos outros o que esperas que também te façam a ti". Portanto eu cheguei lá e esperei pacientemente que a senhora da florista tirasse as caixas do meu caminho para eu passar. "Peço desculpa" "Não faz mal, esteja à vontade." Sorrisinho dela. Sorrisinho meu. Eu chego ao corredor do enlatados e um senhor com ar perdido pede-me indicações sobre onde encontrar um produto. Eu lá lhe disse. "Muito obrigado!" "De nada!" Sorrisinho dele. Sorrisinho meu. Eu chego à zona da frutaria e vejo um senhor de idade a tentar esticar-se por cima do expositor das maçãs para tirar um saco do rolo, que por algum motivo está pendurado num varão a uma altura de 1,70, mesmo no centro dos expositores. Tirei um saco e ofereci-lhe. "Já agora, agradeço." "Ora essa, não há problema nenhum." Foi á vida dele, eu fui à minha.
E nisto eu chego à caixa para pagar: começo a pousar as minhas coisas no mini tapete rolante (os pingo doces pequenos têm zonas de caixa em miniatura, uma comédia!), digo "Boa tarde!" à funcionária, como manda a boa educação. A resposta? Um braço bem assente sobre o comprimento do tapete rolante e empurra as minhas coisas todas para trás, fazendo com que metade delas caia no chão (felizmente nada se partiu...)
- Esta juventude apressada... - resmungou a senhora, pousando de forma petulante o separador de "Cliente seguinte" entre ela e as minhas compras.
Fiquei com cara de parva, mas lá mantive o bom humor. Sorrisinho, que este trabalho dever ser chato, deve aparecer muita gente estúpida por aqui todos os dias, vá, não é nada contigo...
Lá começou a registar os produtos, enquanto eu recolhia do chão o que tinha caído e voltava a por em cima da passadeira rolante, perante o ar surpreso do tipo atrás de mim na fila. Quando terminei, pousei o cesto que tinha usado em cima dos restantes que estavam ao lado da caixa e ia avançar para arrumar as coisas nos sacos quando fui de novo interpelada pela senhora:
- Então vai deixar isso aí?? Estas meninas que não têm educação nenhuma, que acham que é tudo delas... Então não está a ver que não se podem deixar os cestos aí, que estorva? Que, se daqui a um bocado um colega quiser vir trabalhar para essa caixa não se consegue sentar?? Esta gente não tem educação nenhuma!
Fiquei parva, devo ter feito mesmo ar de parva a olhar para ela, e disse-lhe a unica coisa que fazia sentido ali:
- Peço desculpa, só pousei o cesto aqui porque já cá estavam outros, mas se não é aqui o sitio, diga-me onde é, que não me custa nada levar até lá. - sorrisinho, vá lá, que a senhora está a ter um dia difícil, com compreenção a coisa vai lá.
- Eu não digo? A má educação desta gente, acha que é tudo delas! Estas menininhas que só porque são bonitinhas acham que podem fazer tudo! Acha que isto é assim, chega aqui e faz o que quer? Não é assim!
Era a voz da mulher a subir e a minha boa vontade a descer.
- Então diga lá onde é que isto se arruma, que não me custa nada levar lá e assim aprendo e para a próxima já não acontece.
- Ó SR. NÃO SEI QUANTOOOOOS!!! Venha cá tirar-me isto daqui, que estas meninas chegam aqui e fazem tudo de qualquer maneira sem consideração nenhuma pelo trabalho de ninguém, e daqui a bocado nem se consegue passar ali!
Filha da mãe!
Lá conti o veneno (uma mulher lembra-se que é do norte quando a irritam e tudo o que apetece é dizer logo meia duzia de palavrões), não falei mais do assunto que percebi que não valia a pena, respirei fundo e avancei. Pedi 2 sacos, se faz favor (no pingo eles são pagos, e eu tinha-me esquecido do fiel trolei em casa).
- Não sabe que isso não é nada ecológico? - atira-me 2 sacos para cima - Ai estas meninas!!!
O sangue fervia-me nas veias, mas lá fui arrumando as coisas nos sacos, que me iam sendo atiradas de forma completamente abrutalhada. O meu chocolate e as bolachas ficaram logo meios moídos. Filha da mãe outra vez!
- São não-sei-quantos euros! - diz no tom do costume. Que isto todos lhe devem, ninguém lhe paga, mas naquele dia ia-se vingar do mundo atormentando clientes! Terminei de arrumar o artigo que tinha na mão, quando ouço a voz de novo, de novo num tom a subir - SÃO NÃO-SEI-QUANTOS EUROS!!! Tem gente atrás de si!
A minha paciencia já ia nos limites, nem lhe olhei para a cara, a minha boa educação no buraco, saquei do cartão multi banco, paguei, atirou-me o cartão e o talão para cima, nem um reles boa tarde me disse, nem a porcaria do "volte sempre" que são obrigados a dizer pelo protocolo da empresa.
FILHA DA MÃE!!!
Eu estava a espumar de fúria, ansiosa por sair dali, mas demorei mais uns instantes a arrumar a carteira e a por as ultimas coisas nos sacos.
E eis que ouço uma voz de veludo:
- Boa tarde. Vai desejar saco?
Sim. Era a grandessissima VACA, a atender o tipo que estava atrás de mim na fila e que só tinha uma reles lata de cerveja para pagar!!! Ah, ele merece um "boa tarde" e um sorriso, que não estorva. E também merece a oferta de um saquinho, que levar uma lata na mão não pode ser, eu é que era pouco ecológica. Ele teve um "muito obrigada e boa tarde" da grande vaca filha da mãe que me atendeu a patada!!
Portanto a senhora não estava a ter um mau dia não senhor. A senhora está é a ter uma crise de meia idade daquelas valentes em que ganha um ódio visceral a mulheres mais jovens que ela, principalmente se parecem simpáticas e bem dispostas com a vida, que se ela não está bem disposta com a vida, não vão ser estas "menininhas" que vão estar na presença dela! Mas agora que o cliente é uma coisa que veste calças, a coisa muda de figura. Agora que o cliente tem a oportunidade, se ela tiver uma voz de veludo e uma postura irrepreensível, de olhar para ela e a ver por aquilo que ela é: uma mulher mais velha, é verdade, mas cheia de vida ainda, cheia de experiencia e bons principios, ao contrário destas menininhas safadas que lhe aparecem na caixa, e que não interessam a ninguém, diz o grande poço de virtudes, aí a coisa muda claramente de figura!
Minha senhora, digo-lhe: o carácter de uma pessoa não se vê na forma como trata as pessoas que considera suas iguais ou superiores, mas na forma como trata as que considera inferiores. E boa educação usa-se e eu realmente gosto. E realmente uso. Portanto parece-me que realmente mereço.
Deu vontade de ir fazer queixa, mas não fui. Por outro lado vim para casa tão danada que nem dei por os pacotes de leite me virem a bater na perna direira e agora estou toda pisada. É para aprender a também não ter mau feitio, lol!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Trabalho




Hoje venho só deixar uma imagem bonitinha sobre (e d)o trabalho que estou de momento a desenvolver. Digam lá se, visto assim, não inchamos o peito para dizer: "Sabe, isto é PORTUGUÊS".

Hoot-hoot!

Estou eu a chegar a casa, quando vejo um pombo a aproximar-se, no seu andar balançante, da porta aberta da mercearia. Um passinho. Um tique de cabeça. Mais um passinho. Mais um tique de cabeça. Ainda mais um passinho. E ainda mais um tique de cabeça!
E quando o bicho (tão discreto...) já estava mesmo quase a entrar, eis que se ouve o dono berrar lá de dentro:
- OH POMBO, NÃO SEJAS ATREVIDO!!!

Vim a rir até à porta do prédio.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Dias da minha vida...

Toca o meu telemóvel: olho para o ecrã e concluo que nunca vi tal número.
Atendo:
- Estou sim?
- Estou sim, boa tarde! - responde a voz ao fundo do túnel.
- ..........
- Estou, Ana? Como estás? - diz a voz outra vez.
- ....................
- Daqui fala Fulano! - (há que manter um mínimo de privacidade na vida alheia... )
- .....................................
- O teu PAI!!!
- AAAAAAH!!!!!!!!!!!!!
(Não podia ter-se começado por aí??)

sábado, 2 de maio de 2009

Cola: a saga continua

Só a fazer um pequenino up-date: ainda nem se passaram 4 horas desde o último post, e há que dizer que nessas 4 horas está incluido o meu almoço, arrumações na cozinha e um pequeno duche. A maquete ainda está longe de estar terminada (está a meio, mais ou menos). E mesmo assim, já consegui gastar mais 3 pacotes de cola. A parte chata é que este é o último pacote. O último. E amanhã é domingo, e não tenho onde ir comprar. GRUNF!


Horas depois....

Contagem final - Cola 10. Eu ZERO. Não sobrou nadinha. Nem uma gota para contar a história. Mas está tudo feitinho, muito-muito-perfeitinho! VOU DORMIR 3 DIAS. Beijinhos!

Isto é a minha vida ultimamamente...


A dor no pulso começa a surgir. No polegar. No indicador, por causa do sempre querido e fiel x-acto. Também começam a surgir falhinhas de cartão pelo chão da minha sala, que é uma coisa que me deixa sempre aborrecida (viva os inventores do swiffer que me acalmam os nervos num instante, lol!). Finalmente, surgem grandes lucros para a UHU. Tendo em conta que a cola já estava esgotada numa série de lojas e tive que me render a comprar um MONTE de pacotes dos pequenos. Ainda só tenho 12 placas, e já lá vão 3 pacotinhos... Se eu disser que são coisa de 150... mmm... Quem não adora maquetes?!...