domingo, 26 de setembro de 2010

Acho impressionante

Como é possível alguém que escreveu isto e isto tenha também conseguido ser o autor disto.
Até ler o Leão de Oz eu achava que era francamente impossível que um livro da autoria de um autor tão brilhante como Gregory Maguire pudesse não falar sobre nada. Aliás, que qualquer coisa, da autoria de quem quer que seja que dure 350 páginas pudesse não falar sobre rigorosamente nada. Achava que podia calhar ser chato, ou cair para o desinteressante, vá, "gostos", mas agora "nada"? Pura e rigorosamente "nada"? Não, por esta eu não esperava.
No incio a história quase que arranca, mas afinal não. O que se esperava brilhantemente envolvente e inesperado, revelou-se uma profunda desilusão. É um sem fim de pormenores irrelevantes sobre uma personagem extraordináriamente plana e fastidiosa, como se veio a revelar o Leão Brr. Li tudo, pois é claro que li. Cá no fundinho eu ainda tinha esperança de que alguma coisa se fosse passar de interessante ou de - pelo menos! - relevante entretanto. Mas nada. O retrato da vida em branco do Leão cobarde é (surprendam-se!) um absoluto vazio. O pior? Algures nas últimas paginas a história quase que arranca de novo. Mas depois não, claro está, porque o livro acaba. Estou revoltada. Senti-me a ler o guião de um daqueles programas da madrugada, em que uma infeliz qualquer faz conversa ininterruptamente, sozinha, enquanto espera que alguém lhe telefone para participar 3 segundos no concurso e depois voltar tudo ao mesmo. Fantastico. Os criticos gabam o brilhantismo criativo de Maguire e eu não deixo de fazer o mesmo: tornou o insuportável Leão de Oz num personagem exponencialmente mais frustrante. E diga-se, encher 350 páginas e conseguir que nada de relevante aconteça é um feito. Gabo também as meninas dos programas da madugada, que falam para ali que se fartam, só elas e a camera, e vai-se a ver, não estão a falar sobre coisa nenhuma estão, hum, como dizer... a encher chouriços. Até acontecer alguma coisa. E depois continuam. Se bem que é para isso que lhes pagam. Mas vá, o mesmo se pode dizer do, até agora, intocávelmente brilhante Sr. Maguire: também ele é pago para fazer estas coisas. Se bem que dele se espera mesmo um GRANDE bocadinho mais do que um simples encher de chouriços. Mas pronto, é o que há, de momento.
Estou triste. Mesmo triste. Quando mentes como a de Maguire conseguem decepcionar-nos tanto, algo me diz que o mundo criativo literario está a ir muito mais por água abaixo do que se previa anteriormente.
E pronto, agora, só para contrariar, vou ler algo que já se preveja palerma, para desenjoar do que se previa brilhante. Ao menos a desilusão há-de ser menor, tal como a dimensão do livro novo.
Veja-se o lado bom. bastavam-me pouco mais de 3 paginas para adormecer calmamente até ao dia seguinte. Parece que nem tudo se perdeu, afinal.

2 comentários:

saltos altos disse...

Agora fiquei curiosa. Vou ter que ler depressa a minha colectânia de livros adquiridos recentemente para ir atacar esse vazio de história que me deixou intrigada.
Se bem que de Oz, sou conheço o famoso filme da nossa infância: O Feiticeiro de Oz.
Até breve;)

Annie* disse...

Sim, são baseados na história do Feitoceiro. Os outros dois são brilhantes, principalmente o primeiro. Mas este... realmente não recomendo. :S Boas leituras! ;)