quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Constatações

Pequenas coisas que nos mostram que já não estamos no Verão: - O lombo de porco deixado em cima da banca, já não descongela mais rápido do que no microondas.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A saga dos Bananas

Ah!...Nada como um fim de tarde descontraído, em que uma pessoa aproveita para esticar um bocadinho as pernas, apanhar um bocadinho de sol, apesar de o tempo já estar a ficar frescote, ver umas montras, comprar pão... e ser assaltada por 4 caloiros armados com BANANAS. Ah, pois é. Bananas. Bananinhas. Ali, as 4, apontadas em riste a minha cara, por quatro miúdos sujos até ao fundo da alma, corados e envergonhados a ponto de nem conseguirem olhar bem para mim, apesar dos "incentivos" do "doutor" que os acompanhava.
- Essa senhora! JÁÁÁÁ!! - motivava o caríssimo doutor.
- Mmm... isto é um assalto... - murmurou a única rapariga, como quem pede desculpa, enquanto os outros 3 olhavam para o chão com ar de quem gostava de ter ali um buraco, naquele momento.
Lá lhes dei 20 cêntimos, depois de lhes ter perguntado para o que andavam a "assaltar". Uma bela bebedeira, pensei eu, como ensina a experiência académica. "Não...." disseram eles, cada vez mais roxos de vergonha "É para... mmm... para comprar sebentas... material escolar.... mmm...". Pois é claro que é, meus queridos e emporcalhados caloiros, armados com bananas. É claro que é para comprar sebentas e material escolar, agora para financiar a magnifica bebedeira... Que ideia a minha! Agora caloiros que se embriagam durante as praxes? Isto do pensamento esteriotipado é uma chatice.
E pronto, la seguiram os pobres caloiros, com o seu Doutor a rosnar umas ordens quaisquer, e com as suas bananas. Bonitos momentos. Bem dizem que as praxes são muito importantes para a integração da juventude académica. Mesmo muito. "Então, o que é que fizeram hoje?" - perguntam os papás, pelo telefone, ao seus meninos - "Encheram-nos de ovos, cerveja, caril e farinha; pintaram-nos com batons e puseram-nos a usar t-shits que dizem "caloiro burro sou!" e ainda nos juntaram em grupos para irmos assaltar na rua, munidos de bananas." - "O QUÊ???" - hão de responder os papás, perturbados - "Assaltar para comprar sebentas e material escolar, mamã." - "Ah, bom. Lindos meninos."
Nunca vou entender as praxes. Mas pronto. Isso sou eu, que nunca vi em que é que a humilhação conjunta integra no que quer se seja. Pelo menos serve para os Doutores com cerca de 15 matriculas se sentirem especiais por uma vez na vida académica. Dali para a frente, o resto do ano é a vergonha que se sabe para eles. Deixemo-los rosnar a caloirinhos inocentes, para tufar um bocadinho o ego.
E lá continuei o meu passeio, a apreciar o solzinho do fim de tarde, que estava tão agradável.

domingo, 26 de setembro de 2010

Acho impressionante

Como é possível alguém que escreveu isto e isto tenha também conseguido ser o autor disto.
Até ler o Leão de Oz eu achava que era francamente impossível que um livro da autoria de um autor tão brilhante como Gregory Maguire pudesse não falar sobre nada. Aliás, que qualquer coisa, da autoria de quem quer que seja que dure 350 páginas pudesse não falar sobre rigorosamente nada. Achava que podia calhar ser chato, ou cair para o desinteressante, vá, "gostos", mas agora "nada"? Pura e rigorosamente "nada"? Não, por esta eu não esperava.
No incio a história quase que arranca, mas afinal não. O que se esperava brilhantemente envolvente e inesperado, revelou-se uma profunda desilusão. É um sem fim de pormenores irrelevantes sobre uma personagem extraordináriamente plana e fastidiosa, como se veio a revelar o Leão Brr. Li tudo, pois é claro que li. Cá no fundinho eu ainda tinha esperança de que alguma coisa se fosse passar de interessante ou de - pelo menos! - relevante entretanto. Mas nada. O retrato da vida em branco do Leão cobarde é (surprendam-se!) um absoluto vazio. O pior? Algures nas últimas paginas a história quase que arranca de novo. Mas depois não, claro está, porque o livro acaba. Estou revoltada. Senti-me a ler o guião de um daqueles programas da madrugada, em que uma infeliz qualquer faz conversa ininterruptamente, sozinha, enquanto espera que alguém lhe telefone para participar 3 segundos no concurso e depois voltar tudo ao mesmo. Fantastico. Os criticos gabam o brilhantismo criativo de Maguire e eu não deixo de fazer o mesmo: tornou o insuportável Leão de Oz num personagem exponencialmente mais frustrante. E diga-se, encher 350 páginas e conseguir que nada de relevante aconteça é um feito. Gabo também as meninas dos programas da madugada, que falam para ali que se fartam, só elas e a camera, e vai-se a ver, não estão a falar sobre coisa nenhuma estão, hum, como dizer... a encher chouriços. Até acontecer alguma coisa. E depois continuam. Se bem que é para isso que lhes pagam. Mas vá, o mesmo se pode dizer do, até agora, intocávelmente brilhante Sr. Maguire: também ele é pago para fazer estas coisas. Se bem que dele se espera mesmo um GRANDE bocadinho mais do que um simples encher de chouriços. Mas pronto, é o que há, de momento.
Estou triste. Mesmo triste. Quando mentes como a de Maguire conseguem decepcionar-nos tanto, algo me diz que o mundo criativo literario está a ir muito mais por água abaixo do que se previa anteriormente.
E pronto, agora, só para contrariar, vou ler algo que já se preveja palerma, para desenjoar do que se previa brilhante. Ao menos a desilusão há-de ser menor, tal como a dimensão do livro novo.
Veja-se o lado bom. bastavam-me pouco mais de 3 paginas para adormecer calmamente até ao dia seguinte. Parece que nem tudo se perdeu, afinal.

Sim, estou viva!


Gente! Estou viva! E a pedido de várias familias (vá, tecnicamente a pedido de uma única familia, aliás, de um único elemento de uma única familia...) estou também de volta a estas andanças da blogosfera. Que é para que não se diga que eu não valorizo a opinião dos leitores, que são pouquinhos mas são meus, e dão-se ao trabalho de vir cá, portanto vamos lá tratar de lhes ir dando alguma coisinha com menos de meio ano para ler.
Lamento informar que vários episódios potencialmente palermas da minha vida foram desperdiçados, inarrados, ao longo dos últimos meses. (Um segundo de silencio, em memória desses bonitos momentos.) Mas, alegremo-nos, nada de grave daí advém, que eu tendo a ter uma vida propicia ao desenvolvimento de pensamentos de grau elevado de parvoice (ou de presenciamento de situações mundanamente banais em que algo de satirizante vai acontecendo), que prometo voltar a dar-me ao trabalho de partilhar convosco, que se interessem por eles.
Só não vai é ser já hoje, que o dia foi mesmo normalzinho (parabéns, papá!) além de que é tarde para caraças. Amanhã. Ou em breve. Prometo não desaparecer novamente. Nem que seja para voltar a vir para aqui postar delirios sobre fruta.

Portanto, gente: sim, estou viva! E vou dando notícias entretanto. ;)